Muitos caminhos para subir a montanha


Fotografia: Samuel Duarte in olhares.com


Ao escolher entre as práticas, com frequência encontraremos pessoas que tentarão nos converterem para seus caminhos.
Existem missionários de todas as confissões que insistem em ter encontrado o único veículo verdadeiro para Deus, para o despertar, para o amor.
Mas é vital compreendermos que existem muitos caminhos para subir a montanha, que não existe apenas um único caminho verdadeiro.

Dois discípulos de um mestre discutiam sobre o modo correto de vivenciar a prática.
Como não conseguiam resolver o conflito, foram ao mestre, que estava sentado entre um grupo de outros discípulos. Cada um dos dois apresentou o seu ponto de vista. O primeiro falou sobre o caminho do esforço.

- Mestre- disse ele -, não é verdade que precisamos fazer muito esforço para abandonar nossos velhos hábitos e modos inconscientes de ser? Precisamos fazer um grande esforço para falar com honestidade, para estar atentos e presentes. A vida espiritual não acontece por acaso, mas apenas quando à ela decidamos um esforço de todo o coração.
O mestre respondeu:
- Tens razão.

- O segundo discípulo pertubou-se e disse:
- Mas mestre, então o verdadeiro caminho espiritual não é o do desapego, da entrega, de deixar que o Tao, o divino, se mostre por si mesmo? Acho que não é através do esforço que progredimos, pois nossos esforços estão baseados nos nossos apegos e no nosso ego. A essência do verdadeiro caminho espiritual é viver segundo a frase: "Não se faça a minha vontade, mas a vossa". Não é esse o caminho?
E mais uma vez o mestre respondeu:
-Tens razão.

Um terceiro discípulo, ouvindo a conversa, interveio:
-Mas mestre, não é possível que ambos tenham razão
O mestre sorriu e lhe respondeu:
- Também tu tens razão.

Existem muitos caminhos para subir a montanha, e cada um de nós deve escolher a prática que sentirmos verdadeira para o nosso coração. Lembre-se de que as práticas em si, são simples veículos para que você desenvolva a percepção consciente, a bondade e a compaixão no caminho da liberdade. E isso é o bastante.
Como disse Buda: " Um homem não precisa carregar a balsa sobre a cabeça depois de cruzar o rio".
Devemos aprender a honrar e a usar uma prática enquanto ela nos servir, o que , na maioria dos casos, é um tempo bastante longo mas também a vê-la como aquilo que ela é: um veículo, uma balsa que nos ajuda a cruzar as águas da dúvida, da confusão, do desejo e do medo. Podemos ser gratos à balsa que auxilia nossa jornada e, ainda assim, perceber que, embora delas nos beneficiemos, nem todos tomarão a mesma balsa.

O poeta Rumi descreve veículos para o despertar:
Alguns trabalham e enriquecem;
Outros trabalham e continuam pobres.
À uns, o casamento enche de alegria;
à outros, drena-os.
Não confieis nos caminhos; eles mudam.
Os métodos vão para lá e para cá como o rabo do jumento.
Acrescenta sempre, a qualquer sentença, a cláusula de gratidão:" Se Deus quiser" e vai em frente, vai em frente...


(Fonte: Um Caminho Com o Coração, de Jack Kornfield.)


Publicado por SAM ( http://sentimentos-sam.blogspot.com) no blog REFLEXÕES DE ´NÓS ((http://reflexoes-de-nos.blogspot.com/)

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